segunda-feira, 30 de julho de 2012

Retorno ao firmamento

Essa visão que eu imaginei nunca mais contemplar
Esse sentimento que me invade como se tivesse algo a clamar
Essa chama que se acedeu e não quer ir


Não entendo mais nem mesmo meus sentimentos
Não compreendo mais nada do que ocorre ao redor
Meus olhos lhe mantém na mira
E eu nada posso fazer

Apenas cante, encante, num instante
Me mostre o mundo que você
Me encontre no seu céu
Me mostre um eu diferente do seu
 
Surpresas, tristezas, clarezas
Agora eu novamente compreendo o que ocorre
Quando caimos e não levantamos
E vejo novamente

O mundo que é belo lhe contendo
Mas só posso observar do alto.
Um toque poderia me despedaçar.

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domingo, 10 de junho de 2012

Febril

A mais intoxicante das drogas
poderia sim, lhe tirar o senso
Mas que valeria a você, não saber
Se já não ser é bastante vazio

Conto sempre com a noção 
E o tempo vai e não me deixa esquecer
É sempre como um obstáculo
Ou como uma porta, dá no mesmo
A passagem é estreita, a barreira é alta

Contemplando o exterior de um fluxo
tento encontrar o momento certo
tento levar meu corpo
Mas parece-me que o momento se perde


Sinto como se pudesse dormir hoje
Não vejo mais sentido no mundo
E não tenho 


Já não sinto aquele antigo frio
Já não sou domidado pelo efeito da adrenalina
Acho que o medo se foi
Juntou-se ao afeto esquecido

Não resta mais nenhum ser
Seria insano.

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Com(m)medida(m)mente

Ironizando o padrão do espetáculo
Encontra-se no canto não mais que esquecido
Agora acalourado é
O abraço que foi pedido

Num canto conto quantos contornos
No osso marco alguns dos desencantos

Mas seu olhar é reflexivo
O que me torno - paisagem?
O que importa, é essa passagem?

Não quero o canto pois não conto
Não conto ao espetáculo que não esqueço
O quanto é desencanto o abraço esquecido
A falta irônica do acalourado abraço de passagem
O pedido reflexivo feito com essa cara de paisagem!

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domingo, 20 de maio de 2012

Sonolência

Está lá no perdido
E moldado pelo que hoje digo
Não , não há sentido

Hoje mesmo não quero mais 
Não posso querer mais
Não tento
não
Um salto não dado pode ainda ser uma subida
Um mergulho pode ser sua chance de ficar no fundo
Um orgulho perdido
Não digas que o fez
Apenas diga

No momento exato da queda
Uma pedra se cria para limitar sua fuga
No engolir intencional do contexto
Nem mesmo                                         Não, agora infelizmente não devo.

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sábado, 5 de novembro de 2011

Estado

Esse pedaço seu é meu 
Meu espaço que eu não uso
Esse espaço seu é meu 
Seus pedaços espalhados 
Por mim passam seus olhares
Por você minhas mãos percorrem
Esse território não delimitado
Esse sentimento não concretizado
Essa sensação assim sem sentido
Esse sentido assim sem nada.

Rimas não fazem sentido no sentido ou no sentir
Sentirei falta quando você for privatizado
Saberei que um dia
Fui eu quem viu o leito de teus rios
Que em tuas terras é que fui encerrado.

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Opiácio

 Todo o ar a minha volta se transforma
E eu que não posso
Não quero mais a onda segurar
Levo meus desejos para o poço
E aquelas moedas todas vão para o fundo
Nunca queira dizer-me que não dá
Nem vou pensar algum dia em desistir
Apenas agora quero sentir isso tudo
Uma força que me leva a outro lugar
Um mundo que se forja a minha frente
Uma mente não inocente
Uma lucidez não aparente




O ar que me falta é o que sai da sua boca

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Talvez apenas Imprecisão

Quando a lua erra tua luz
E seu mundo apagado fica escuro
Eu me mostro sempre sorrindo
Apenas pronto, para lhe dar a mão 

Sabia que talvez pudesse acontecer
Mas mesmo sem saber como fazer
Sigo sempre sendo esse mesmo ser
Gentileza dada sem esperar
Nem mesmo um doce olhar de volta

Quando pensei ter encontrado meu lugar
E quando nadei na claridade da lua
Olhei diretamente para toda a multidão
E errei ao tentar acalentar o mundo
Preciso apenas me aproximar um pouco

Só assim encontro conforto, somente aí 
Consigo seu sorriso, seu olhar, seu toque
Mesmo que sem gosto.
Apostarei sempre no meu pensar
Mesmo que a vida sempre me faça errar.

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