quarta-feira, 4 de maio de 2016

Quando (não) há


Quando os cabos se rompem
E o sinal sem fio está bloqueado por algo
A gente tenta fazer a conexão manual
Que nem sempre possui gestos suficientes

Quando me quebrei, pensei que pudesse ser colado
Mas na verdade a metáfora não foi certa
Cola em mim, comigo, mas não me cola
Seu olhar me quebra, pois não resisto

E aqueles eletrodos esquecidos
Estão agora monitorando
Só medem minha frequência
E frequento então

Reconheço aqui uma ligação
Reconecto-me ali de antemão
Contudo, algumas vezes
Nem tudo é presente

A relação de duas almas acontece no olhar

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Bar[ato] e Fr[ágil]

Sinto um estranho prazer quando saio
E cruzo com quem encontro
Os olhos não chegam a se tocar
Mas a sensação toma o corpo

Fico pensando ao te olhar
Acho que por não ser vulgar
Não só você mas a maneira como olho
Pode ser o mecanismo que falta, a engrenagem

Fica ali solta, girando e esperando
Quer que a toquemos juntos
Aciona em mim a manivela
Acende em mim essa vela
Passa a noite a me velar

Será que assim, enfim
Perco o sinal ou flechamo-nos então.

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terça-feira, 3 de maio de 2016

[] Fumo

Se trago seu estrago
Lhe trago presente
Se estou no passado
Por que então pensa no futuro?

Com a respiração curta, penso
Com a expiração entrecortada, canto
E você ai do seu canto apenas olha
Curtindo talvez, cada acorde de minha voz

Mas se um dia te respiro
Noutro tens que me inspirar
Se a vida me trouxe a ti
Talvez o presente tenhamos de juntar.

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

En.canto

Sigo planando próximo ao céu
Num surdo estampido eu me percebo
Asas imaginárias que me levam
Ao céu meticulosamente figurado
Impulso

O outro lado é sempre inverso
O frio corta a alma e rasga a carne
O fio da navalha arranca partes
Meus olhos vidrados não enxergam
Perda

Agora que foi despertado eu não mais controlo
A chama que acendeu em mim foge a qualquer limite
Fogo fátuo, salamandra ou uma brasa
Me dê seu corpo sem cuidado,
O calor que sentirá é agradável como a noite
Fato

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Cria(ção)tura

A noite é como estar sozinho no meio do nada
na agua
ficamos imersos e apagamos o que não nos cerca
Nem mesmo na imensidão de possíveis acontecimentos
A cabeça perde a sintonia do que sente a alma
mesmo com calma
Ainda penso para além

Olho pro silêncio e ouço a imagem
Canto movimento e grito com meu mover
Mas nada disso faz sentido
Apenas desejo bem querer
E olhar pro que fiz
Pro que posso fazer
E talvez dizer:
-Grava isso na memória, risca onde não vai apagar. Nem o tempo acaba com o que deve ficar.

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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Nexo analógico

No silêncio de uma rua perdida
Estive ali, segurando uma flor
Mas essa flor sem dono, sem adereço
Murchou nas minhas mãos

Em perdição em meio as digitalidades
A conexão foi criada pela vida
Nem mesmo com a corrupção do disco
Meu wi-fi seu sinal perdeu

Olha só como é
Se por acaso eu quiser
Agora
A gente não se desencontra mais
A trilha é a mesma, são passos compassados

E ai então o que fazer?
A cantoria que reside aqui não mais quer se calar
Com a cor de teu som, levantei e dancei
Mesmo não sabendo dançar

Inebriado pelo teu cheiro, acertou me em cheio com teu olhar

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terça-feira, 26 de abril de 2016

Costura-se

No momento em que há retorno
No dia em que encontro o sorriso
Não, não posso negar que isso me acende
Mesmo que as partes do todo estejam esfaceladas

Traz aqui essa linha
A linha da tua mão que te liga a mim
Que com ela reconstruirei o que poderia ter ido
Mesmo nas partes sem sentido
No perder-se
Minha mão estava ali ao alcance
E pensando bem, não houve uma partida
Partido estávamos

Inteire-se
É disso que a vida se faz
Não somos bonecos
não somos tecidos para isso
Apenas deixamos essa rede imensa de sensações
Nos cerzir

Veja essa linha vermelha
Desenrola, é ela.

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