quarta-feira, 22 de abril de 2015

O caminho de volta

Olhei para a bússola
Essa marcava apontada para ti
Nenhuma direção segura mostrada
Quando há nesse caso

Dê seus passos e vá
Que meus pontos cardeais novamente aparecem

Junto de ti me perco
E nem mesmo sei o que devo fazer

Me perdi no teu olhar
Mergulhei em tua voz
Afaguei-te em meus braços
Estou perdido
Onde o meu caminho é tua mão que me escapa.

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Solidez

O que me custa
é a sensação

e esse talvez
Se vai quando lhe seguro a mão
essa sensação
Me atravessa o coração
principalmente nos olhares

que trazem a tona a emoção
Como quero
Segurar-te junto
Num abraço conjunto
Num infinito criado apenas para nós
Nessa dança sem ritmo
E dessa sensação

Fazer minha transmissão 
apenas para lhe dar minha mão
junto de todo os resto
já que tudo se cabe em divisão
e esse talvez

é a sensação
que me custa
que me diz:

-Queria que se refugiasse aqui.






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quinta-feira, 12 de março de 2015

A.fina.ção

Quem sou eu aqui?
acho que esqueci meu papel
e você me largou na contramão
sem a sinalização correta
a lugar algum chego

Agora estou a pensar
sobre estar em seu lugar
e sonhar, pois é onde quero estar
sou a parte indesejada de mim mesmo
e gostaria de ser
o que desejo em você

Meu corpo tem as cordas erradas
e sua palheta não faz som algum
gostaria que não me tocasse como algo qualquer
quero fazer o som que ressoe com seu toque
que lhe faça sentir-se bem

E quem sabe o tempo modifique
O que a natureza impecável trocou.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Tr.i.unfo.

A loucura me fez pensar ter asas

Porém o céu não alcancei
Cai em todas as tentativas de vôo
Desmoronei ao perder o que não tive

Prostrado em um lugar comum
Resgatado por um abraço caloroso
Eu vi

Do céu a beleza irradia
Do céu posso ver o mundo

Várias vezes eu tropecei
Em cada uma tive uma chance
A cada falha uma mão a mais
A cada mão meu coração se fortalece

O mundo pode não ser perfeito
Mas de que vale perfeição quando somos únicos
de que vale sanidade
Quando minhas asas imaginárias podem me fazer voar.



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domingo, 26 de outubro de 2014

Ama [rra] do

Sinais jogados ao céu avisam
Sina essa que é
Cada laço firmado
Trás também um nó desatado
Se chegou até aqui
Com constante hesitação
E dessa vez não encontrou

O sentido que procura pode ser minha mão
O caminho que deseja pode ser a perdição
O pecado que almeja sou eu
Me chame à sua presença
Me una ao teu corpo

Por ti rezarei
A ti levarei
desnudo como nasci
esse amor que pari

Atado a seu olhar
Encontro agora com meu desejo
confronto agora todos os medos
Só então consigo tocar-te

E o conforto da tua mão
Essas descompassadas batidas em seu peito
Esse ar de felicidade repentina
Gosto de sentir seu sorriso quando num abraço
Me uno ao teu ser
Me faço


Seu


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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Teria eu tido asas?

Daqui não vejo mais ninguém
Escuridão
O tempo não existe
O real é abstrato demais para ser acreditado

Daqui onde estou não vejo a luz do dia
Mas num momento de vislumbre sua luz me tocou
Um breve instante que moveu meus ponteiros
Luz

Já tive asas?
Alias, porque uso tempos verbais na falta de tempo?
O que é passado ou futuro, presente...

Daqui de onde te vejo só vejo a sua luz
Sigo o caminho pra cima, na saída do poço da solidão
De onde tentei de maneira vã
Sair de mim mesmo, escapar da minha própria escuridão

Meu pavio está sem fogo
Minha luz foi roubada, bem como minhas asas
Mas aparentemente isso foi (ou é) algo irreal
Você me viu pela minha luz, que acreditei que já tivesse esvaído
O buraco era nada mais que a escuridão da minha vida
Se fazendo presente e forte
Obscurecendo pensamentos
Me cegando pro tempo
Me fazendo perecer

Daqui agora vejo o mundo
Não mais tenho medo do escuro
Daqui vejo você
Que veio como um fósforo me reacender
Daqui vejo você
Pois com seu abraço, mesmo cego, eu nunca iria me esquecer.




No momento em que levo ao céu
Você me mostra sua luz
No momento que estamos em terra
Você fortalece a minha

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Presente passado por Futuro

O tempo que nos é dado é o da permanência
Somos efêmeras presenças fadadas a encontros aleatórios
Somos etéreas frequências jogadas ao encontro do fugaz

O que dizer sobre a eterna consciencia que nos habita?
Ou sobre a velha certeza que nos destrói?

Talvez o tempo que nos é dado seja o da aderência
Para que possamos ter ao menos um pouco de certeza
De que não somos almas desgarradas
Destinadas a vagar sem rumo
Sem sono
Sem vida

O tempo é ele mesmo 
Ele não pede
Ele apenas faz
E trás
Atrás
O que você não poderá mudar

A vida é o aceitar da imutabilidade temporal
Efêmera, passageira, derradeira.

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